Pela primeira vez no Brasil, equipamento que possibilita o sequenciamento do genoma de células cancerígenas é utilizado para tratar um paciente.
Em estudo inédito no Brasil, médicos de São Paulo analisam o DNA de tumores
para entender e tratar a origem da doença. Um equipamento novo procura em
questão de horas a origem da doença, ele faz o sequenciamento do genoma das
células cancerígenas. O primeiro paciente a passar pela técnica é um jovem
advogado vítima do câncer desde o ano passado.
A luta de Alexandre é contra o tempo. Aos 26 anos, ele recebeu um diagnóstico
assustador: estava com um câncer raro, de nome complicado e agressividade alta.
O tumor desmoplásico de pequenas células redondas ataca os órgãos do
abdômen.
Alexandre está se tratando no Hospital A.C.Camargo, em São Paulo, um dos
maiores centros de pesquisa do país sobre a doença. “Fiz a cirurgia, depois de
ter feito seis ciclos de quimioterapia. Depois da cirurgia, um mês para me
recuperar, fiz a radioterapia”, conta.
Para tentar evitar a recidiva, que é como se chama a volta do tumor, os
médicos recorreram ao que há de mais moderno no combate ao câncer: buscar a
origem do problema por meio do sequenciamento do genoma das células
cancerígenas. É uma espécie de raio-X do DNA, o conjunto de moléculas que
carrega as informações genéticas que coordenam o desenvolvimento e o
funcionamento do organismo humano.
“O Alexandre teve um tumor muito raro, que acomete crianças, adolescentes ou
adultos jovens e que tem a biologia molecular pouco conhecida, daí a importância
de fazer o sequenciamento para ver se encontramos um segredo, algo novo”,
explica o cirurgião oncologista Ademar Lopes.
O primeiro sequenciamento do genoma humano levou dez anos para ser concluído
e foi publicado em 2001. Hoje, graças à evolução da tecnologia na área da
biologia molecular, já é possível fazer todo esse processo em apenas quatro
horas com um aparelho. Pela primeira vez no Brasil, o equipamento está sendo
usado para tratar um paciente. Ele está sequenciando o genoma das células do
tumor do Alexandre.
Os médicos retiram uma amostra de sangue, que em seguida é processada em
laboratório. Os geneticistas separam o DNA e amostras do tumor passam pelo mesmo
processo. O DNA preparado é colocado em uma placa eletrônica e o chip vai para a
máquina, que faz o sequenciamento. É a partir daí que os geneticistas procuram
as mutações celulares que provocaram o câncer e um remédio para aquele
problema.
“Na verdade você está personalizando a medicina. Ela vai possibilitar um
tratamento mais específico”, explica a diretora do laboratório de genômica Dirce
Carraro.